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   31/08/2010 - 00:22:29

Análise de Mercado - Boi 16/08 a 27/08

Oferta restrita, escalas curtas e demanda aquecida impulsionam o mercado

Fonte: AgroCIM



Mercado Físico

Esta quinzena foi marcada por altas constantes nos preços da arroba nas principais regiões pecuárias do país, motivadas pela escassez de oferta de boi gordo, escalas de abate apertadas e dificuldade em efetivar negócios nos patamares atuais de preço.

Em São Paulo (SP) os preços oscilaram de R$ 89 a 92/@ livre à vista a R$ 90 a 93/@ livre a prazo. No estado do Mato Grosso do Sul (MS) a arroba ficou em média na casa de R$ 80 a 82/@ livre à vista a R$ 81 a 83/@ livre a prazo.

No Goiás (GO) a arroba foi cotada na casa de R$ 81 a 83/@ livre à vista e com variação de R$ 82 a 84/@ livre a prazo, em Minas Gerais (MG) o preço oscilou de R$ 81 a 83/@ livre à vista a R$ 82 a 84/@ livre a prazo, já no Mato Grosso (MT) os preços seguem R$ 76 a 77/@ livre à vista e R$ 77 a 78/@ livre a prazo.

Em Rondônia (RO) os preços oscilaram de R$ 74 a 75/@ livre à vista e R$ 75 a 76/@ livre a prazo, no Tocantins (TO) a arroba ficou estável em R$ 76/@ livre à vista e R$ 77/@ livre a prazo, enquanto no Pará (PA) os preços variaram entre R$ 72 a 73/@ à vista a R$ 73 a 74/@ livre a prazo.

No Rio Grande do Sul (RS) o quilo vivo foi cotado entre R$ 2,80 e 2,85 a prazo.

Diante da seca e do frio o volume de animais terminados a pasto que está sendo negociado no momento é bastante reduzido e com os preços altos das categorias de reposição, principalmente o boi magro, a expectativa é de redução no número de animais confinados, fator que somado ao aquecimento do mercado da carne deve continuar sustentando os preços da arroba.

Um dos pontos chaves do mercado é se a disponibilidade de boi confinado, que deve ser ofertada no mercado nas próximas semanas, será capaz de atender a demanda interna e externa, caso não seja, a situação será apenas atenuada não alterando o quadro de alta que vigora no mercado neste momento.

Atacado

Como já era esperado, a procura (distribuidores) está efetivamente mais ativa. Em contrapartida as ofertas seguem e deverão se manter escassas, ante a falta de animais terminados para abate e consequentemente elevação do preços da arroba no mercado físico.

No atacado paulista (27/08), o traseiro foi cotado a R$ 7,00/kg, alta de 4,48% na quinzena, o dianteiro a R$ 5,00/kg, valorização de 6,38% na quinzena, e a ponta de agulha a R$ 4,80/kg, alta de 11,63% na quinzena.

A atual conjuntura do mercado fez com que o preço do atacado bovino disparasse, atingindo seu preço recorde e a tendência é que as atuais cotações sigam em crescente alta devido à escassez de oferta e a proximidade da virada de mês, que deve proporcionar um repique no consumo de carnes. Com a alta do atacado bovino espera-se que a carne de frango e a carne suína ganhem espaço no mercado, devido ao menor impacto na renda do consumidor.

Mercado Futuro

O indicador Esalq/BM&FBovespa segue influenciando de forma decisiva no mercado futuro, assim como o movimento das escalas e as cotações vigentes no mercado físico.

Na quinzena o indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista apresentou alta de 3,98% sendo cotado a R$ 92,19/@, na última sexta-feira (27/08), frente a R$ 88,66/@ de 16/08. O indicador a prazo foi cotado a R$ 92,89/@ (27/08), o que demonstra valorização de 3,92% no período analisado (16/08 a 27/08) já que a cotação no dia 16/08 foi de R$ 89,39/@.

Os contratos de boi gordo na BM&FBovespa também se valorizaram durante a quinzena. Os contratos com vencimento em agosto terminaram o pregão (27/08), após 1.032 contratos negociados, valendo R$ 92,07/@, variação positiva de 3,88% na quinzena. Os com vencimento em setembro valorizaram 3,95%, sendo cotados a R$ 92,30/@ com 1.898 contratos negociados e os de outubro, considerado o pico da entressafra, à R$ 92,58/@ após 3.096 contratos negociados, alta de 3,81% no período analisado.

Nos mercados futuros o movimento de alta segue de forma consistente, sem sinais de inversão de tendência até o momento. A atual conjuntura do mercado físico (oferta restrita, escalas curtas e demanda aquecida) proporciona um movimento de alta duradouro e intenso nos mercados futuros.

Reposição

Não está fácil repor, seja pela dificuldade de oferta ou pelos altos preços. O mercado segue lento para as categorias jovens, sendo que a oferta está escassa, porém a demanda também aparece enfraquecida.

Já para o boi magro, existe procura, em função da firmeza do mercado do boi gordo. Porém, mesmo com a alta do boi, os preços do boi magro não parecem confortáveis para aqueles que ainda pensam em confinar.   

Na reposição, o indicador Esalq/BM&FBovespa bezerro Mato Grosso do Sul (MS) foi cotado (27/08) a R$ 667,81/cabeça à vista, registrando valorização de 1,52% na quinzena. Já em São Paulo (SP) foi cotado (27/08) a R$ 669,62/cabeça à vista, o que demonstra estabilidade com variação de - 0,17% na quinzena.

Com o valor da arroba do boi gordo apresentando alta durante a quinzena (+3,98%) e o preço do bezerro valorizando menos (+1,52%), a relação de troca subiu para 1:2,28.

De maneira geral, a expectativa para o mercado de reposição é de firmeza, impulsionado pela pequena oferta de gado de reposição, aliado ao movimento de alta para os animais terminados.

 

Analista: Ricardo Martins de Castro

(Centro de Inteligência em Mercados)

Fonte: BEEFPOINT, BOLETIM INTERCARNES, CEPEA, ITRADING, PECUÁRIA.COM, SAFRAS & MERCADO, SCOT CONSULTÓRIA

 

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