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   30/08/2010 - 17:20:06

Análise de mercado - Café 16/8 a 27/8

Quinzena marcada pela instabilidade de cotações deixa mercado apreensivo para próximas semanas

Fonte: Agrocim



O período compreendido entre 16 e 27 de agosto caracterizou-se por intensas oscilações nos preços de café. Fatores econômicos e especulações sobre oferta e clima fomentaram a instabilidade da quinzena e a insegurança de traders e investidores quanto ao futuro da commodity.

A primeira semana teve saldo positivo. Oferta apertada e notícias de demanda crescente para os próximos anos deixaram o mercado otimista. As cotações tiveram suporte e atingiram valores próximos às máximas dos últimos 13 anos. Os diferenciais para setembro foram os de maior guinada positiva. Há baixo volume de café certificado para entrega nas bolsas e é possível que a grande diferença em relação a outros vencimentos só diminua com o início da colheita colombiana.

A segunda semana do intervalo teve volatilidade ainda maior. Inicialmente os preços do café caíram pela realização de lucros e depois despencaram com notícias sobre a situação da economia americana. Houve redução de 27,2% na venda de imóveis usados nos EUA, menor nível em 15 anos. Com isso, fundos e investidores, que já realizavam lucros, debandaram completamente do mercado e as cotações chegaram a valores tão baixos que produtores se recusaram a comercializar seus produtos.

Ainda nessa semana, aproveitando fundamentos positivos, as perdas foram minimizadas. Expectativas de que a safra brasileira seja menor que a esperada, estoques mundiais muito baixos(os da ICE chegarão a menos de 2 milhões de sacas), e incertezas quanto ao clima( seca atual e possível ocorrência do fenômeno da La Nina) contribuíram, e muito, para recuperação da semana.

As movimentações da ICE Futures US( Bolsa de Mercadorias de Nova Iorque) novamente ditaram o ritmo mundial. Prevalece a dúvida: as oscilações são indícios de saturação e realmente o mercado está sobrecomprado, ou apenas houve especulações e investidores aproveitando as distorções? O fato é que, por hora, participantes evitam tomar posições agressivas e esperam o passar dos dias para uma visão mais objetiva do futuro do café. Apesar de ter havido bom ganho nos últimos dois fechamentos, não foi suficiente para deixar o saldo do período positivo. Os contratos com vencimento em setembro caíram de 178,7 para 177,05 centavos de dólar por libra-peso. Já para dezembro, a variação foi um pouco maior, 2,25 , fechando a 178,85 cents/lb.

No Brasil o clima continua a colaborar com o andamento da colheita. Estima-se que mais de 70% já foi realizada. Porém, o período de estiagem prolongada preocupa os produtores quanto à produtividade da próxima safra. O atraso das floradas leva alguns a recorrer à irrigação de suas lavouras.

Uma boa notícia foi a aprovação,pelo Conselho Monetário Nacional, da criação de uma linha de crédito para comercialização de grãos, com recursos do Funcafé. Com isso, produtores poderão financiar estratégias para operar no mercado futuro e garantir melhores preços.

Na BM&F, a commodity acompanhou, relativamente, as variações de Nova Iorque. A instabilidade gerou insegurança e por isso houve redução das transações. Com pouco café ofertado,grãos negociado para setembro, só no último dia da quinzena, tiveram valorização de US$13,35 e fecharam a US$229,15. Contratos para dezembro também tiveram bom desempenho, fecharam a US$213,15, valorização de US$5,25 durante todo o período. No físico, a saca de 60kg  fechou  a R$315,02, com variação positiva acumulada de 2,41% no mês, segundo o indicador Cepea/Esalq.

Para as próximas semanas o mercado está indefinido. A baixa movimentação de origem na quinzena passada vai obrigar produtores que precisam de caixa a disponibilizarem café. Resta saber como se comportarão os preços, já que fundos zeraram suas posições e terão de fazer sua opção. Fator tranqüilizante e otimista é a oferta apertada. O mundo, realmente, precisa se reabastecer; por isso é impraticável a comercializaçao em níveis de preços insatisfatórios, pois a procura, principalmente por cafés de boa qualidade, não deve cessar.

 

Analista: Fernando Diniz Andrade

(Centro de Inteligência em Mercados)

Fonte: CaféPoint, Valor Econômico, USDA, Itrading, Notícias Agrícolas

 

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