Mercado Interno
Após conseguintes quedas ao longo do ano, o mercado brasileiro de milho vem registrando reações, consequência de intervenções do governo e também da finalização da colheita da safrinha em alguns estados. O bom preço vivido pelo trigo também tem influenciado de forma positiva o cereal.
De acordo com levantamentos realizados pela Conab, o milho segunda safra apresentou crescimento de área semeada, em comparação ao mesmo período do ano passado, de 5,8% ou 286,1 mil hectares. A produção também acompanhou este desenvolvimento, apresentando acréscimo de 16,3% ou 2,83 milhões de toneladas em comparação a mesma época já citada.
Com isso o governo tem atuado de forma incisiva no mercado, objetivando uma menor oferta do grão. Segundo o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Edilson Guimarães, os leilões de PEP (Prêmio de Escoamento do Produto) já contribuíram para um aumento de 3% a 5% nos preços do milho no mercado interno, correspondendo ao investimento feito até agora pelo governo, de aproximadamente R$640 milhões.
Grande parte deste volume negociado pelos leilões governamentais, cerca de 9,6 milhões de toneladas, terá por destino o mercado externo. Uma das razões seria o bom momento vivido pelo trigo no cenário internacional, relacionado à seca que vêm sendo observada no continente europeu, influenciando diretamente na produção do cereal.
Esta menor oferta de trigo na Europa, vem beneficiando o milho, por também ser matéria prima para a ração de animais, fazendo do produto brasileiro a principal alternativa para os importadores.
Porém a preocupação agora tem se voltado para a logística. Uma das principais rotas de escoamento do grão brasileiro é o porto de Santos, mas a concorrência por navios que estão comprometidos com o embargue de soja e açúcar pode ocasionar o atraso da entrega do cereal.
Para diminuir esta dependência que o produtor tem em relação à medidas do governo e amenizar o prejuízo que a última safra proporcionou, a Associação de Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Universidade Federal do Tocantins (TO), vem desenvolvendo um projeto que tem por finalidade a obtenção de etanol oriundo do milho. O estudo ainda está em desenvolvimento, mas pode vir à ser uma alternativa ao produtor não só do Mato Grosso, mas de todo país.
Na BM&F estas duas últimas semanas registraram cotações positivas para o milho, que no dia 12 rompeu os 20,80 fechando exatamente na resistência de topo anterior em 21,20.
Mercado Externo
Estas duas primeiras semanas do mês de agosto acompanharam o bom momento vivido pelo milho no cenário internacional, cotações positivas e uma expectativa de aumento da demanda do produto, tem influenciado o mercado do grão.
A baixa oferta do trigo na Europa tem sido uma das principais razões para que este cenário se comporte em alta.
Especulações à respeito das condições climáticas nos EUA, também vem ajudando a sustentar os preços. A consideração é de que o clima quente e seco que deve atingir o meio oeste dos Estados Unidos podendo prejudicar as lavouras, que estão a um mês da colheita.
Todos estes fatores tem sido refletidos na CBOT, que fechou o vencimento dezembro cotando US$4,32 por bushel, registrando ganho de 5,25 cents.
Fonte: Folha de São Paulo; Valor Econômico; Conab; Notícias Agrícolas.
Analista: Guilherme L. Alvarenga - Centro de Inteligência em Mercados.