O Agronegócio em Destaque


AGRO-CIM >Agricultura > Soja
   17/04/2011 - 06:28:53

Análise de mercado - Soja - 11/04 a 15/04

A variação do dólar e a fraca demanda chinesa por soja influenciam a queda do preço da oleaginosa

Fonte: Agrocim



Na reta final da colheita, fatores como a queda do dólar frente ao real, o desaquecimento da demanda chinesa pela soja e a grande safra na América do Sul influenciam a queda do preço da commodity e deixam sojicultores apreensivos. Outros motivos, levantados pelo Cepea, apontam que os preços mais fracos da soja também estão relacionados ao avanço da colheita no Brasil, à maior produtividade e à conseqüente produção recorde.

As variações ligadas principalmente ao preço do dólar, que no momento sofre uma desvalorização, influenciam diretamente no preço da soja, pois a oscilação na cotação do dólar tem impacto direto nos custos do frete e na formação dos preços da oleaginosa. Os produtores mais afetados são, conseqüentemente, os que estão em regiões mais distantes dos portos de escoamento, como é o caso do Estado do Mato Grosso.

A China, o maior importador de soja mundial, enfraquece sua demanda frente às baixas margens de esmagamento no País. Esse quadro está pesando sobre as cotações de Chicago, fazendo com que o preço da commodity sofra queda. Além da demanda fraca, há expectativas a cerca de novos cancelamentos de compras chinesas de soja dos Estados Unidos, o que também pode refletir negativamente na situação do mercado. Paralelamente, a entrada de uma grande safra sul-americana pode afetar ainda mais as cotações da oleaginosa, pois diminui a urgência pelo grão norte-americano e pressiona os preços em Chicago.

Outros fatores externos que devem ser levados em consideração são, a expressiva queda do petróleo, a preocupação com a crise nuclear no Japão e a redução da expectativa de crescimento da economia mundial pelo FMI. Todos estes motivos afetam o mercado de commodities agrícolas, de modo com que os investidores fiquem ainda mais aversivos ao risco, pressionando as cotações.

No entanto, apesar do cenário negativo no preço da soja, bem como o atraso no plantio devido a instabilidades no clima, o desenvolvimento da cultura foi favorável no Rio Grande do Sul - apesar da ocorrência de chuvas abaixo da média -, no norte do Mato Grosso e Paraná. Minas Gerais e Mato Grosso do Sul foram os únicos Estados em que a produção de soja caiu. Segundo um levantamento da consultoria Céleres, a colheita da soja atingiu 77% da área plantada no Brasil - safra 2010/11 - avançando 10 pontos percentuais. Entretanto, o índice ainda é menor do que o do ano passado, no mesmo período, referente a 81%.

Na última quarta-feira (13), após forte queda registrada pelos grãos na Bolsa de Chicago, a soja fechou o pregão noturno com alta de dois dígitos. Isto ocorreu devido a investidores e importadores que, aproveitando as baixas, voltaram às compras, impulsionando os preços e estimulando a recuperação do mercado. Além disso, as condições climáticas dos Estados Unidos devem atuar como fator de sustentação para o mercado. Porém, apesar das expressivas altas, o mercado da soja operou com forte queda da madrugada de quinta-feira (14) e encerrou o pregão noturno com baixas de dois dígitos na Bolsa de Chicago, em decorrência da desaceleração da demanda para a exportação.

A sexta-feira (15) foi marcada pela forte volatilidade no mercado de grãos em Chicago, influenciada pelo clima dos Estados Unidos, demanda chinesa por soja, entrada da América do Sul, fundamentos de oferta x demanda e fatores externos. Porém, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou venda de 165 mil toneladas de soja da safra 11/12 para a China. Com relação às cotações, os futuros da soja fecharam a sexta-feira no terreno misto na Bolsa de Chicago: os contratos com vencimento em Maio e Julho de 2011 fecharam com variação de +0,75% e +0,50%, respectivamente e, os contratos com vencimento em Agosto de 2011 e Março de 2012 fecharam com variação de -0,50% e -7,25%. Já na BM&F, o contrato com vencimento para Junho de 2011 fechou a sexta-feira com alta de +0,85%, com o valor de US$ 29,50 a saca de 60 quilos.

A projeção destes números está diretamente relacionada aos fatores já citados anteriormente, pois a queda no fechamento dos contratos de Agosto (2011) e Março (2012) é influenciada pela grande safra da América do Sul e pela desaceleração da demanda chinesa, motivos que pressionaram os preços e, a alta referente aos contratos com vencimento em Maio e Julho de 2011 é devido às incertezas quanto ao ciclo 2011 do Estados Unidos e aos fundamentos de estoques apertados, que deram uma leve sustentação aos preços. Conforme o analista de mercado Ricardo Lorenzet, da XP Investimentos, "Não há muitas novidades, só o mercado se ajustando".

 

Fontes: Globo Rural, Cepea, Notícias Agrícolas, Canal Rural, Reuters, Valor Econômico, Só Notícias, Diário de Cuiabá.

Analista: Nathália Olímpia Torres Oliveira Silva - Centro de Inteligência em Mercados

Enviar por email






  PARCEIROS :

AGROCIM - CENTRO DE INTELIGÊNCIA EM MERCADOS

2009 - www.agrocim.com