O Agronegócio em Destaque


   30/08/2010 - 23:03:40

Análise de mercado do índice Bovespa

23/08 a 27/08

Fonte: Centro de Inteligência em Mercados



O desempenho do Ibovespa nesta semana esteve, fortemente, atrelado aos acontecimentos norte americanos. Diante da preocupação com a recuperação econômica americana, o Ibovespa iniciou a semana em queda e somente na sexta feira (27) houve valorização de 2,69%, aos 65.585 pontos (maior valorização diária desde o dia 27 de maio). Na semana, o índice acumulou baixa de 2,10% e, no mês, ainda recua 2,86%. A recuperação do mercado, entretanto, não foi forte o bastante para corrigir as perdas da semana. Destaque semanal para maior pontuação no dia 23/08 aos 65.981 pontos e maior baixa no dia 26/08 aos 63.867 pontos.

No front corporativo, o destaque voltou-se para uma possível aquisição da Postash (empresa canadense de fertilizantes) pela Vale, o que contribuiu para os investidores negociarem ações da mineradora, valorizando o índice Bovespa. Segundo dados do Banco Central, em julho, a conta corrente brasileira (que registra todas as operações de bens e serviços com o exterior) teve saldo negativo de US$ 4,5 bilhões, o pior resultado para o mês desde 1947. No acumulado do ano, o déficit ficou em US$ 28,26 bilhões (2,51% do PIB), também o pior resultado da história para o período e o triplo do verificado de janeiro a julho de 2009, o que, conseqüentemente, trouxe desvalorização ao Ibovespa. A produção industrial brasileira voltou a crescer de forma disseminada em julho, segundo Sondagem Industrial divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em uma escala onde valores acima dos 50 pontos apontam crescimento, o indicador que mede a evolução da atividade chegou a 53,4 pontos, ante 51,8 pontos em junho, desencadeando alta do Produto Interno Bruto (PIB) e, conseqüentemente, alta ao Ibovespa.

Inflação mais branda no Brasil e sinais de desaceleração estão mudando a aposta do mercado para a Selic, taxa de juro básico da economia. Analistas deixaram de acreditar em alta em setembro e passaram a prever taxa estável nos atuais 10,75% até o fim do ano. Mas, a despeito da tranqüilidade de curto prazo, continua a expectativa de que o Banco Central terá de voltar a elevar o juro em 2011, porque a inflação vai ganhar força. Na pesquisa semanal Focus, a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no próximo ano subiu de 4,80% para 4,86%, na primeira alta após 18 semanas de estabilidade. No curto prazo, a estabilidade da taxa dinamiza a economia e resulta na valorização do índice. O interesse por bens duráveis, como automóveis e eletrodomésticos, puxou para cima o Índice de Confiança do Consumidor (ICC): 0,7% de julho para agosto. Pela primeira vez, a taxa ultrapassou os níveis do cenário pré-crise, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o que favoreceu o Ibovespa.

No que tange o cenário internacional, novamente predominou o pessimismo nos mercados mundiais pelo temor de que a recuperação econômica global não seja tão sólida. Novos dados, piores que o previsto, do setor imobiliário americano mostraram queda de 27,2% nas vendas de casas em julho, deram maior força para a saída dos investidores dos mercados. Os números do mercado de trabalho americano revelam que os novos pedidos de seguro-desemprego no país caíram em 31 mil na semana terminada em 21 de agosto, para 473 mil, ante os 504 mil de uma semana antes. Embora tenham sido melhores que o esperado, os números não foram suficientes para conter o nervosismo dos investidores.

Os mercados estão fortalecidos com as declarações mais otimistas do presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, Ben Bernanke, sobre a economia do país. Enquanto no primeiro trimestre a economia americana cresceu em ritmo equivalente a 3,7% ao ano, no segundo trimestre a taxa anualizada de crescimento ficou em 1,6%, nos meses de abril a junho, num cenário de moderação do consumo e recuperação tímida do investimento em máquinas, equipamentos e bens de informática. O Fed pode fazer mais do que tem feito para cumprir a dupla missão de manter a estabilidade monetária e combater o desemprego. Em síntese, a mensagem transmitida por Bernanke em seu discurso foi que o Banco Central ainda tem instrumentos para ajudar na recuperação econômica americana. Caso a economia se deteriore significativamente, o dirigente ressaltou que o Fed vai fazer outra compra de títulos para estimular a economia. Além da previsão de a inflação permanecer sob controle, com pouco risco de oscilação para cima ou para baixo, há previsão de crescimento econômico em 2011. Após o discurso do presidente do Banco Central norte americano, o Ibovespa foi beneficiado na sexta feira.

A semana não contou com muitos indicadores que influenciassem a Bolsa, porém números desanimadores deram nova força para a preocupação dos investidores em relação a um "duplo mergulho" ou nova recessão econômica. O discurso de Ben Bernanke animou os investidores nesta sexta, mas a valorização do Ibovespa não foi suficiente para superar as perdas. Investidores focaram principalmente o cenário doméstico, onde dados positivos chamaram a atenção, com exceção do saldo negativo da conta corrente brasileira.          

 

Fonte: Valor, O Estado de São Paulo

Analista: Letícia Marquitti Guardabaxo

 

 

Enviar por email






  PARCEIROS :

AGROCIM - CENTRO DE INTELIGÊNCIA EM MERCADOS

2009 - www.agrocim.com