Uma pesquisa divulgada ontem pelo Observatório do Clima, constituído por organizações não governamentais (ONGs) e institutos ambientais do País, revela: a aprovação das mudanças no Código Florestal, previstas para serem votadas ainda este ano (veja abaixo a opinião de Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente a respeito disso) podem ocasionar na liberação de 7 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera.
Em outras palavras, essa quantidade representaria o acúmulo de 25,5 bilhões de toneladas de gases causadores do efeito estufa. O número é 13 vezes maior do que o total de gases lançados pelo Brasil em 2007, de acordo com a pesquisa.
O cálculo foi feito considerando a mudança proposta na legislação que passa a isentar a manutenção de reserva legal em propriedades rurais com até 4 módulos fiscais (ou o equivalente a isso em propriedades médias e grandes). Esta mudança deixaria 69,2 milhões de hectares sem proteção da reserva legal (ou uma área maior que o Estado de Minas Gerais). A liberação de carbono na atmosfera ocorreria a partir dessa área.
Para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o Código Florestal não deve ir à votação este ano, como desejam alguns deputados federais. Segundo ela, a discussão sobre a proposta precisa ser ampliada na sociedade. "O tema requer mais debate. A proposta que está em discussão é insuficiente", salientou.
Segundo ela, a aprovação da proposta, da forma como ela foi concebida, pode provocar vetos. "Somos a favor da modernização do Código Florestal, mas precisamos aperfeiçoar o debate, considerando as diferenças regionais", disse.
Na sua opinião há uma "elite política, tradicional e associada à agropecuária" que não deseja ampliar o debate sobre o código. De outro lado, ressaltou, há também o extremismo entre os ambientalistas. "Quando falo em elite são os segmentos que não querem debater por serem radicais, tanto do lado ambiental quanto do lado da agricultura".