Brasília - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu ontem elevar a taxa básica de juros (Selic) da economia brasileira de 11,25% para 11,75% ao ano. A decisão, que confirmou a expectativa dos analistas do mercado financeiro, representa a segunda alta consecutiva dos juros no governo Dilma Rousseff. Em janeiro, na primeira reunião do Copom sob o comando de Alexandre Tombini na presidência do BC, a Selic de 10,75% foi elevada em 0,5 ponto percentual. Com a decisão de ontem, a taxa básica de juros volta ao patamar mais alto desde janeiro de 2009, quando estava em 12,75% ao ano. A Selic de 11,75% é a maior em dois anos. Mesmo esperada, a decisão do Banco Central foi criticada por representantes da indústria e do comércio.
Ao fim do encontro, o BC divulgou a seguinte frase: ´Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 11,75% ao ano, sem viés'. Essa foi a primeira reunião do Copom com a presença dos dois novos diretores do Banco Central, Altamir Lopes (Administração) e Sidnei Corrêa (Liquidações e Controle de Operações de Crédito Rural), cujos nomes foram aprovados na véspera pelo plenário do Senado. Eles tiveram sua nomeação confirmada ontem no Diário Oficial da União.
Os dois estiveram presentes no primeiro dia do encontro também, porém ainda como chefes de departamento, cargo que não lhes dava chances de votar. Foi a primeira vez que novos membros entraram no Copom no meio do encontro, mas não mudou seu rumo, já que os novatos também têm perfis técnicos, como seus antecessores. Lopes, que durante 16 anos ocupou a chefia do departamento Econômico do BC, foi para a diretoria de Administração no lugar de Anthero Meirelles, que por sua vez vai dirigir a de Fiscalização.
Marques, ex-chefe do Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro e de Gestão da Informação, vai para a diretoria de Liquidações. Estão de saída Alvir Hoffmann, que ocupava a diretoria de Fiscalização desde dezembro de 2007, e Gustavo Vale, que comandava a de Liquidações há oito anos e agora vai presidir a Infraero, estatal que administra os aeroportos brasileiros.