Campinas, 4 de Julho de 2011 - Não é necessário grande esforço para demonstrar que, desde os primórdios das exportações brasileiras de carne de frango, o ritmo de evolução anual do volume exportado tem sido muito mais intenso que o da oferta interna ou, mesmo da produção. Assim, é suficiente citar apenas (e como exemplo), que nas três décadas decorridas entre 1980 e 2010, enquanto a produção brasileira de carne de frango e a oferta interna aumentaram, respectivamente, 702% e 903%, a expansão acumulada das exportações ficou em 2.165%.
Ultimamente, porém, a velocidade de evolução das exportações vem sofrendo redução. E como o ritmo de expansão da produção está sendo superior ao das exportações, o resultado final é o crescimento visivelmente maior da oferta interna.
A análise do que vem ocorrendo no quinquênio 2007/2011 (2011: média do período janeiro-maio em relação à média de 2010) permite boa avaliação de como eram e como agora se comportam os três quesitos.
Em 2007 e 2008 (como em anos anteriores), as exportações (com +21% e +11%) tiveram evolução superior à da produção (+10% e +7%) e, por consequência, o menor incremento foi observado na oferta interna (+5,7% e +5,3%). Em 2009, com a crise econômica mundial, os três quesitos registraram evolução em torno de zero.
Mas do ano passado para cá, inverteu-se a posição tradicional entre exportação e oferta interna, esta última registrando índice de evolução agora superior.
Os efeitos práticos desse comportamento podem ser melhor constatados quando se compara o desempenho médio dos cinco primeiros meses de 2011 com aquele observado em 2009, ano em que a variação anual foi similar na oferta interna e na exportação e, portanto, também na produção: de lá para cá a produção média aumentou 15,1%; mas como as exportações aumentaram só 5,4%, a oferta interna de 2011 vem sendo, em média, quase 20% maior que a de 2009.
O que fazer para que essa oferta retorne a um nível mais compatível com a realidade? Ora, a disponibilidade interna resulta apenas do saldo entre produção e exportação. Assim, se esta última já não caminha como antigamente, só resta readequar a produção. 