A falta de chuvas que assola parte do país tem prejudicado não só a saúde das pessoas, por conta da baixa umidade relativa do ar, mas também a colheita da cana-de-açúcar. Segundo estimativa oficial da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), 570 milhões de toneladas deverão ser moídas nesta temporada. O potencial anterior da colheita era de 610 milhões de toneladas. A quebra na safra já é de 7%, segundo a Unica.
Se não chover até o final de setembro, a Unica pode fazer uma nova revisão. A situação pode ser ainda pior para alguns produtores da região de Piracicaba, já que a quebra pode chegar a até 20% se a estiagem persistir nos próximos meses. No ano passado, foram cerca de 35 milhões de toneladas moídas. "Como tem muita cana que ainda está brotando, é natural que a queda aumente em alguns canaviais", avalia o produtor Serafim dos Santos Silva. "Ainda é meio imprevisível, porque a temperatura tem se comportado de forma muito estranha".
O problema da falta de chuvas vem desde abril deste ano. As chuvas nas principais regiões produtoras ficaram abaixo da média histórica, segundo a Unica. A região de Piracicaba ainda não responde pelo quadro mais crítico. Na região de Ribeirão Preto, o volume de chuvas durante os meses de maio a junho é o terceiro menor dos últimos 20 anos.
A previsão de moagem de 570 milhões de toneladas da Unica representa também queda de 4,3% em relação à estimativa de abril, de 596 milhões de toneladas. Mas o panorama é melhor que o observado em 2009, quando o problema para o setor canavieiro foi exatamente o contrário: o excesso de chuvas que prejudicou o crescimento das mudas de cana. Por isso, o volume deste ano, segundo a Unica, deve ser 5,3% superior ao total processado na safra 2009/2010.
"A coisa está complicada sim. Estamos preocupados", afirma o produtor Cláudio Almeida. A seca, via de regra, provoca a antecipação da colheita, o que faz com que parte da cana seja moída sem completar o período de maturação. A estiagem, no entanto, também tem um lado bom. Diferente do excesso de chuvas, a seca beneficia a produtividade industrial, pois resulta em maior teor de açúcar na matéria-prima. A Unica projeta um açúcar total recuperável por tonelada de cana em torno de 142 quilos nesta safra, em relação aos 138 quilos por tonelada estimados antes.
QUEIMA. No panorama de seca, há ainda outro problema: as queimadas. "A fiscalização é pesada e, por causa dessa seca, muitas vezes nem é a gente que toca fogo no canavial. As chamas se alastram por causa de qualquer incidentezinho", declara o produtor Mário dos Santos. A queima da palha está proibidade em toda região desde a semana passada, inclusive no período noturno.
NÚMERO
570 milhões de toneladas devem ser moídas no centro-sul