Como dissemos na sexta-feira estamos cobrindo hoje e amanhã a convite da ABITRIGO, o XVIII Congresso Internacional do Trigo, trazemos hoje uma síntese das conversas que tivemos com os agentes de mercado e das palestras que observamos acerca do mercado nacional de trigo. O que mais se comenta junto a técnicos da ABITRIGO e junto aos agentes de mercado que conversamos, seria sobre a nova classificação do trigo, aptidão de exportação do trigo nacional, e a qualidade da safra atual.
Sobre o primeiro tema, embora ainda haja o risco de nova prorrogação como já vem ocorrendo nos últimos anos, da parte de moinhos, atualmente a previsão seria safra 2011/2012. Moinhos afirmam que isto melhoraria e muito a negociação do trigo nacional, pois com a obrigação de se produzir o trigo nacional com uma qualidade desejada pelo mercado moageiro, isso daria maior liquidez à negociação dos melhores lotes, de certa forma valorizando os lotes posteriores, e equipararia o preço do trigo nacional ao trigo importado.
Sobre a exportação o assunto é controverso, é levantado junto ao pessoal do ABITRIGO e agentes de mercado, a exportação do excedente de trigo brando, sobretudo do Rio Grande do Sul, e que se produza trigo naquele estado com este intuito, já que a demanda por farinha de biscoitos é de apenas 9% do total de farinhas produzidas no país. Isso também faria com que a oferta nacional fosse mais escassa e teria (em tese) maior valorização do trigo nacional. Ótimo, isso é algo realmente valido, porém para quem vender este produto?O governo terá sempre de pagar a conta do escoamento (via PEP)?Em palestra sobre políticas agrícolas no final da tarde, defende-se que haja diferenciação de prêmios e preços mínimos para cada região. Um dos consultores da ABITRIGO consultados levanta a tese de que o papel do governo poderia ser somente achar mercados para o trigo produzido no Brasil, uma vez que com o excedente de trigo no mundo seria difícil achar mercados, um dos palestrantes do evento realizou uma conta, mostrando que atualmente para chegar no Norte da África com o mesmo preço do trigo russo, pagando o preço mínimo ao produtor de trigo brasileiro, o governo necessitaria arcar com um premio de R$ 164/ton, ou seja, inviável.
Sobre a qualidade da safra atual, as conversas são de que até 1 milhão de toneladas estariam inaptas à moagem no Paraná, conversa repercutida por mais de um agente de mercado, porém sem qualquer respaldo oficial. A idéia de que o trigo paraguaio não estaria com a mesma condição de qualidade do ano passado, mesmo que ainda com preços competitivos, mostra que será um ano difícil aos moinhos paranaenses. Sobre a safra gaúcha, as conversas com traders presentes no evento mostram ceticismo quanto aos lotes que ainda restam por colher, diferente daquilo que pensa os agentes de mercado consultados no balanço semanal da última semana. Ainda sem definição de qualidade,o trigo uruguaio é aguardado com esperança, o mesmo ocorrendo com o trigo argentino Amanhã, como hoje, traremos aos nossos assinantes mais uma síntese das conversas realizadas no evento da ABITRIGO.