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   07/06/2011 - 09:21:10

Custos de produção podem consumir alta das commodities

O aumento dos preços dos insumos começa a preocupar os produtores rurais brasileiros

Fonte: Notícias agrícolas



A pouco mais de três meses do início do plantio da nova safra de verão, o aumento dos preços dos insumos começa a preocupar os produtores rurais brasileiros. Eles temem que a alta das cotações dos grãos não seja suficiente para compensar a elevação dos custos de produção. A tendência de margens mais apertadas para o campo na temporada 2011/12 foi antecipada pelo analista norte-americano Jack Scoville, vice-presidente do Price Furures Group, de Chicago, durante o Ciclo de Palestras Gazeta do Povo, na semana passada, em Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia.

Segundo Scoville, se por um lado a expectativa é que os preços da soja e do milho se mantenham firmes ao longo do próximo ciclo, por outro os agricultores precisarão desembolsar mais para plantar suas lavouras neste verão. A consultoria Agrosecurity também registrou a tendência e informa que, depois de colher uma das mais lucrativas safras dos últimos anos na temporada 2010/11, os produtores devem ter rentabilidade menor no próximo verão.

Levantamento da consultoria revela que as cotações dos grãos tendem a subir menos que os custos de produção, que estão entre 15% e 20% superiores aos registrados na safra passada no Brasil. Na região de Londrina, no Norte do Paraná, por exemplo, plantar soja vai ficar 19% mais caro neste ano, enquanto o preço médio de venda da oleaginosa deve subir 15% na temporada 2011/12.

Nas contas da Agrosecurity, para cultivar um hectare com a oleaginosa, o produtor londrinense terá que desembolsar R$ 1.421, R$ 223 a mais do que no verão passado. Já o preço médio de venda da produção, que foi de R$ 36,29 na região em 2010/11, deve avançar para R$ 41,59.

Sementes e fertilizantes são os itens que mais pressionam o bolso do agricultor. Até meados de maio, esses dois insumos registravam alta de 39% em Londrina, na comparação com essa mesma época de 2010. O gasto necessário para comprar um quilo da semente deu um salto de 56% nos últimos doze meses, passando de R$ 1,35 em maio do ano anterior para R$ 2,10 no mês passado.

A tendência se repete em todas as praças do Paraná e do Brasil, relata Felipe Prince, analista da consultoria. "Aqueles produtores que se anteciparam e foram às compras entre dezembro e fevereiro vão sair ganhando."

A maior pressão dos adubos sobre os custos de produção deve ocorrer no Sul e Sudeste do país. Nessas regiões, explica Prince, os agricultores costumam adquirir os insumos para a safra de verão mais tarde que os do Centro-Oeste.

Os preços de venda da soja, que sobem no mercado interno e externo desde o segundo semestre do ano passado, tendem a continuar aquecidos. Para Jack Scoville, o clima desfavorável ao plantio nos Estados Unidos deve fazer com que parte da área prevista para o milho seja remanejada para a soja, o que pressionaria as cotações da oleaginosa no mercado internacional.

"Mas nossos produtores querem mesmo é plantar milho e, se puderem, vão plantar. Até porque sabem que vocês, brasileiros, irão plantar muita soja em 2011/12", disse o analista norte-americano a uma plateia 120 produtores rurais, técnicos e líderes do setor da Bahia, Maranhão, Piauí e Goiás que participaram do Ciclo de Palestras Gazeta do Povo durante o Bahia Farm Show, na última semana.

Segundo ele, mesmo que a migração de área realmente aconteça, deve ocorrer em regiões de produção marginais, onde a produtividade não é tão elevado como no Meio-Oeste. "Por isso, um aumento acima do esperado no plantio da soja não significa, necessariamente, uma produção maior", pondera Scoville, explicando porque se mantém otimista com relação ao comportamento dos preços da oleaginosa nos próximos meses.

Ele estima que as cotações da soja devem oscilar de US$ 10,50 a US$ 15,50 o bushel (27,2 quilos) na Bolsa de Chicago ao longo da temporada 2011/12 e afirma que entre US$ 13,50 e US$ 14,00 seria um bom preço para vender parte da produção com antecedência. "25% da safra seria um bom porcentual para fixar", recomendou.

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