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   17/08/2011 - 15:01:09

Demanda chinesa devora safra de milho dos EUA

A cotação do milho, que quase dobrou no último ano, subiu mais 1% na terça

Fonte: The Wall Street Journal Americas



O esforço da China para saciar o crescente apetite da classe média no país está causando um salto abrupto na demanda de milho, o que tem vastas repercussões no cinturão agrícola dos Estados Unidos e pode mexer com fluxos de comércio do grão no mundo todo.

O apetite chinês pelo milho - que é a base para adoçantes, amido e álcool, bem como ração para animais - esteve em plena vista em julho, quando o país comprou de uma tacada 21 milhões de bushels (um bushel equivale a 25,40 quilos) de milho nos EUA, mais do que o governo americano achava que compraria em um ano. O pedido surpreendeu o mercado - e bem quando a intensa onda de calor em julho derrubava a safra no meio-oeste americano. A China comprou outros 2,2 milhões de bushels de milho americano no começo deste mês.

A cotação do milho, que quase dobrou no último ano, subiu mais 1% na terça. O contrato futuro de milho para entrega em dezembro na Bolsa de Chicago subiu US$ 0,075, para US$ 7,275 o bushel.

A influência da China na demanda de milho mostra como a economia do país, que cresce a ritmo acelerado, vem reconfigurando o comércio mundial. A nação, com uma população de 1,3 bilhão de pessoas e que não para de crescer, tem sido um ator de peso em mercados de commodities nos últimos anos.

Campo de milho com elevador de grãos ao fundo no Estado de Kentucky, EUA.

A China já compra cerca de 25% de toda a soja americana. Mas o súbito apetite de milho pegou muitos desprevenidos. A China, que por 15 anos - até o ano passado - não foi um importador líquido de milho, tem ela própria uma vasta produção do grão e por muitos anos lutou para ser autossuficiente. E, já que a China não revela os níveis de commodities mantidos em reservas estratégicas, resta ao mercado tentar adivinhar quanto mais o país precisará comprar.

Muitos atribuem a demanda maior do que a esperada à crescente classe média chinesa, cujos hábitos estão mudando mais depressa do que previsto. À medida que enriquece, por exemplo, o chinês está comendo mais carne de porco. E o governo chinês pressiona produtores de suínos a adotar métodos ocidentais de criação, o que inclui aumentar o milho na ração. Além disso, o consumidor também quer sucos e outros produtos com adoçantes a base de milho: a Coca-Cola Co. disse que o volume na China subiu 21% no segundo trimestre.

Ma Liangfeng, um engenheiro aposentado de 69 anos que vive em Xangai, diz que o sortimento atual de produtos nos supermercados seria "impensável" 30 anos atrás. Naquela época, um artigo básico como a carne de porco era reservado para ocasiões especiais.

Nos EUA, muitos corretores e economistas veem essas últimas operações como sinal de que as vendas pelos EUA vão crescer tão rápido que de cinco a dez anos a China poderia ser o maior país comprador de milho americano, destronando o Japão, que comprou cerca de 610 milhões de bushels de milho dos EUA no ano passado. "Para nós, é o ponto de inflexão", diz Brian Schouvieller, executivo de comercialização de grãos na CHS Inc., maior cooperativa controlada por produtores nos EUA. "Acreditamos que, a partir de agora, a China passará a comprar sempre".

Verdade seja dita, executivos no mundo ocidental se equivocaram antes sobre o apetite chinês por milho estrangeiro. O aumento súbito de pedidos da China em meados da década de 1990 gerou a expectativa de uma explosão no comércio para agricultores americanos. Mas foi só um surto.

Na província oriental de Zhejiang, o produtor Qian Fanghua tem hoje 2.000 suínos; quatro anos atrás, eram menos de 200 animais. Para alimentá-los, é preciso cerca de 4 toneladas de ração a base de milho por dia. Sua crescente produção, e outras espalhadas pelo país, é uma das razões para a cotação interna do milho ter subido tanto - a ponto de fazer o milho americano parecer barato.

 

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