O bom momento do agronegócio gaúcho com a expectativa de colher safra recorde de 25,5 milhões de toneladas promete resultar em bons negócios durante a Expodireto Cotrijal, que se inicia hoje e se estende até o dia 18, em Não-Me-Toque. A previsão do presidente da Cotrijal, Nei Mânica, é de que o volume de vendas tenha um incremento de vendas de 20% sobre os R$ 512 milhões comercializados em 2010, chegando a R$ 614 milhões. "A meta é superar as vendas de 2010, que devem se concentrar em máquinas e insumos agrícolas", acredita o dirigente. Os bons preços pagos pelas commodities agrícolas também devem deixar os produtores mais motivados a fazer novos investimentos.
A feira, que se iniciou no ano 2000, deve receber neste ano 170 mil visitantes, além de 328 expositores de mais de 50 países. "Esta feira é uma grande oportunidade para o setor agropecuário nacional, pois Não-Me-Toque vai receber as maiores empresas de máquinas e implementos agrícolas, assim como as principais no ramo de sementes e híbridos", lembrou Mânica. Entre os destaques da programação, está o Fórum Ambiental que discutirá temas relacionados ao Novo Código Florestal e deve promover uma grande mobilização dos produtores para pressionar a votação do projeto. Para o presidente da Cotrijal, é preciso que haja mudanças antes de junho, quando se inicia a implementação do decreto que criminaliza os produtores que estiverem em desacordo com o código. "Se as leis não forem modificadas, teremos um caos no setor de agronegócio", alertou. Para ele, 50% dos produtores ligados à Cotrijal terão dificuldades de produzir e obter crédito, caso a medida de fato entre em vigor.
O setor de commodities também terá fóruns especiais, como é o caso da soja e do milho. "Vamos debater os principais entraves e desafios do setor", disse Mânica. O tema da biotecnologia também estará na pauta, assim como questões vinculadas à técnica de produção de leite e suínos.
A agricultura familiar está entre os destaques da mostra, com um espaço específico onde serão apresentadas atividades voltadas para o setor e capitaneadas pela Emater. A iniciativa tem como foco a diversificação das propriedades e alternativas para geração de renda no campo. "Além disso, queremos aproximar o agricultor familiar de novas tecnologias", disse o gerente regional da Emater Passo Fundo, Milton Rossetto. A intenção é apresentar tecnologias viáveis, possibilidades de abertura de mercado para a produção familiar, bem como propiciar a troca de experiências.
Também está prevista a realização do 2º Seminário da Agroindústria Familiar, para debater temas como a reestruturação do Programa Estadual Sabor Gaúcho, a previdência e seguridade especial e a inserção da agroindústria familiar no Programa Nacional de Alimentação Escolar. Recursos por parte das instituições financeiras também não devem faltar. A previsão é que seja liberado mais de R$ 1 bilhão entre os bancos Sicredi, Banco do Brasil, Banrisul, Bradesco, CaixaRS e Bndes.