ExtraçaÌo de madeira em Mato Grosso rendeu 1,045 milhaÌo de toneladas ateÌ agosto, segundo levantamento do Centro das InduÌstrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Mato Grosso (Cipem). Deste volume foram exportadas 65,191 mil toneladas (6,23%), no periÌodo entre janeiro e setembro deste ano. Quantidade eÌ 27% inferior ao volume de embarques do uÌltimo ano, quando foram comercializadas 89,190 mil toneladas no mesmo periÌodo, com o mercado internacional.
AleÌm da reduçaÌo das exportaçoÌes, alguns setores da induÌstria mato-grossense teÌm importado madeira - principalmente modulados - dos estados do Sul e Sudeste. Apesar da quantidade adquirida naÌo ser contabilizada com exatidaÌo, representantes do setor garantem que o volume trazido de outros estados brasileiros tem aumentado a cada ano. Presidente do Cipem, JoaÌo Carlos Baldasso, afirma que as induÌstrias locais estaÌo "fazendo o caminho inverso" e, ao inveÌs de usar madeira do proÌprio Estado, teÌm importado madeira de reflorestamento do Mato Grosso do Sul, ParanaÌ e SaÌo Paulo.
AquisiçaÌo de produtos da base florestal teÌm aumentado, complementa diretor-executivo do Cipem, AÌlvaro Fernando CiÌcero Leite, para aplicaçaÌo na induÌstria moveleira e na construçaÌo civil. "SaÌo muito utilizados o MDF e OSB (paineÌis de fibra de madeira), sendo que as placas de compensado e laÌminas retraiÌram muito". TendeÌncia eÌ que o consumo desses produtos continue evoluindo, comprometendo ainda mais a induÌstria madeireira local, avalia o diretor.
Presidente do Sindicato das InduÌstrias Moveleiras de Mato Grosso (SindimoÌvel), Gilmar Milan, explica que a aquisiçaÌo de mateÌria-prima de outros estados para fabricaçaÌo de moÌveis começou diante da dificuldade do setor madeireiro em subsidiar regularmente a demanda do setor, agravada nos uÌltimos 5 anos, apoÌs a deflagraçaÌo da OperaçaÌo Curupira, em 2005. "A inoperaÌncia de algumas serrarias e demora para regularizar manejos florestais atrapalham".
Por isso, diz Milan, muitos empresaÌrios da induÌstria moveleira sentem mais segurança em comprar de outros estados. Problema eÌ que essa opçaÌo encarece o custo de produçaÌo em meÌdia 15%, reduzindo a competitividade da induÌstria local. "Atrapalha nas vendas das empresas locais, porque naÌo temos como equiparar com os preços de uma grande induÌstria de moÌveis".
Em todo Estado, segmento moveleiro agrega 880 induÌstrias. Dos produtos da base florestal, o menor volume neste ano foi reservado para suprir demanda estadual (16,66%). O restante se divide entre vendas para outros estados brasileiros (62,66%) e paiÌses (20,73%), segundo o Cipem. Produto eÌ vendido, majoritariamente, na forma de madeira serrada e beneficiada, sendo as 5 espeÌcies mais procuradas o cambaraÌ, cedrinho, garapeira, amescla e itauÌba.