Responsável pelo financiamento de R$ 4,5 bilhões voltados à modernização da agricultura familiar em menos de três anos, o Programa Mais Alimentos adotou um novo herdeiro: a agroindústria. Com a ampliação de R$ 20 mil para R$ 50 mil no limite individual de crédito para aquisição de equipamentos e investimentos em instalações, o governo federal pretende potencializar a agroindustrialização no país.
- Estamos trazendo a agroindústria familiar para o ambiente do Mais Alimentos, a fim de dar maior capacidade de investimento para os produtores - explica o secretário nacional da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Laudemir Müller.
Ele adianta que está em estudo a inclusão de uma outra linha de crédito para comercialização e capital de giro, com as mesmas condições do programa.
No início do mês, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou o aumento do limite de financiamento à agroindústria. Com o incentivo ao beneficiamento e processamento da produção, pequenos e médios negócios poderão acessar mercados mais rigorosos - como da merenda escolar e do Bolsa Família.
- Para atender às exigências agrossanitárias, os produtores precisam de equipamentos e estruturas físicas adequadas. Por isso grande parte não consegue se regularizar - aponta Ricardo Esso Fritsch, diretor do Departamento de Agroindústria Familiar da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo.
Apesar de reconhecer os benefícios do aumento da linha de crédito para a agroindústria, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul) acredita que o setor precisa de mais incentivos para se potencializar na prática.
- O processo organizacional é fundamental. Os produtores ainda carecem de apoio na gestão, que vai desde a formulação de rótulos até a venda - assinala Vilson Alba, da direção da entidade no Rio Grande do Sul.