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Carlos Pestana tem uma paixão pela apicultura que já dura há mais de 30 anos. Foi por volta dos 10 anos que teve os primeiros contactos com esta atividade. O avô tinha algumas colméias, mas as condições que apresentavam nada tinham a ver com as que existem atualmente. Isso constatamos numa visita que fizemos ao apiário de Carlos Pestana, um apicultor do Porto Moniz, que trata das abelhas nos seus tempos livres. Segundo nos explicou, "os fatos eram muito deficientes, não tinham a proteção que existe hoje em dia". À conta disso, "muitas picadas apanhei embora um bom apicultor não se faça pelo número de picadas que apanha mas sim pela prática, pelo seu maneio". Ao contrário do avô, hoje em dia tem que debater-se contra as doenças que afetam as abelhas, de maneira que adverte que "quem se quer tornar um bom apicultor, que se informe sobre como realmente funciona a comunidade das abelhas", senão "a morte das colméias é certa". Em tempos, trabalhar com as abelhas "era um segredo, que nunca ninguém partilhava porque contava-se o número de pessoas que tinham colméias aqui na Região e o mel era uma fonte de rendimento", tanto que "esse dinheiro serviu mesmo para dar estudos aos filhos, na altura eram famílias numerosas", recordou. Ciente de que tinha que evoluir, Carlos Pestana começou a adquirir livros e hoje tem uma grande coleção em casa, e muitas revistas e DVDs. No entanto, adiantou que na Madeira, por existirem "pequenos apicultores devido ao clima e relevo não é compatível com essas práticas". A grande aposta deve recair, sobretudo, na aquisição de um bom equipamento, um fato protetor para evitar ser picado, luvas e um chapéu com uma rede. Mais aconselha que nunca se deve usar desodorizante, perfume ou creme no corpo quando se vai para junto de uma colméia porque a tendência é que as abelhas fiquem mais agressivas. Também não se aconselha o consumo de bebidas alcoólicas, pelas mesmas razões. Fumo é essencial para o apicultor O fumo é a ferramenta mais essencial para o apicultor porque afasta as abelhas mas convém ser o mais natural possível. Carlos Pestana usa cartão canelado, de onde retira todos os plásticos porque fazem com que o fumo irrite mais as abelhas. Este apicultor do Porto Moniz usa, também, bosta de vaca seca. "Deita um cheiro mais agradável, ao contrário do que as pessoas pensam, dura bastante e dá resultado", garantiu. A bosta é colocada no fumegador e é-lhe ateada fogo. "Serve para atordoar a abelha para que não sejamos picados e para que o maneio seja o mais correto", frisou. Depois de vestir o fato, as calças as luvas e as botas, Carlos Pestana pegou no fumegador e rumou ao apiário. Mal chegou perto, as abelhas, uma a uma começaram a sair das colméias e voavam em grupo, qual roda viva, por cima do apicultor. Carlos Pestana advertiu que, antes de abrir o apiário, é preciso ter cuidado e ver o que se passa no interior. "O apicultor tem que ver se as abelhas estão a transportar pólen, tem que ver o movimento". Por vezes o que acontece é que "chega lá, mexe à pressa nas abelhas e não se dá conta de certos problemas", lamentou. "Se uma colméia está doente, nota-se pelo cheiro e pelo movimento das próprias abelhas, se estiver tudo bem, pode então proceder-se à sua abertura". E assim fez Carlos Pestana. Abriu uma das colméias, enquanto o repórter fotográfico tentava captar algumas imagens, o que lhe valeu duas picadas. Posto isto, retirou um dos quadros, onde era bem visível os favos cheios de mel. Carlos Pestana visita os seus apiários, no Porto Moniz e nos Prazeres (Calheta), com uma certa regularidade, sobretudo, quando existem certas doenças. No entanto, advertiu que "quanto menos se mexer nas colméias, melhor para não desestabilizarmos a temperatura no interior". Este apicultor faz apenas uma cresta (retirada do mel), por ano porque gosta que o produto amadureça na colméia. Caso contrário, "pode fermentar e se estragar, por ter excesso de água". Mas "por vezes, alguns apicultores são um pouco gananciosos, tiram o mel que não está bem maduro, que depois não terá qualidade". O mel é retirado dos favos na futura unidade primária, que está por concluir, depois procede à desaproculação (abertura), é colocado no centrifugador elétrico onde é expelido para o fundo do extrator. Sai depois pela torneira. Em seguida vai para um depósito de inox, no qual é feita a decantação - apuramento ou limpeza do mel, o que demora 20 dias. Depois é embalado nos fracos. Carlos Pestana coloca-o à venda, certo de que o seu produto é de qualidade, ou seja, está bem maduro e é puro, sem resíduos de antibióticos sendo, com certeza, um bom remédio para os dias frios que se aproximam. Antibióticos nas colméias pode contaminar "A Madeira tem que retroceder aos anos 40, à apicultura sem antibióticos", considera Carlos Pestana e adverte para a "leitura dos ensinamentos dos antigos e aplicar as técnicas simples que eram usadas antigamente". Contra o uso dos antibióticos nas colméias para combater as bactérias, este apicultor é de opinião que "não vale a pena utilizar medicamentos nas colméias porque as restantes poderão ficar contaminadas". Consequentemente, leva à contaminação dos favos e do mel. Durante a nossa deslocação ao apiário de Carlos Pestana, pudemos constatar as vantagens do não uso de antibióticos, ao provarmos o mel acabadinho de retirar dos favos. O mel de tom amarelado e com um paladar macio resulta da vegetação multi-flora que existe ao redor do apiário. "A quantidade de plantas que existe no local é pequena para que possa produzir mel floral, de uma planta só", explicou Carlos Pestana. São inúmeros os produtos que derivam das abelhas. Este apicultor tem em exposição muitos deles. Dos produtos primários destaque para o mel, claro, o pólen, o própolis, a geleia real e cera. Em termos dos secundários temos o vinagre, vinho e aguardente. Existe, também, uma gama de produtos de cosmética que são compostos por derivados da produção das abelhas. É o caso do gel creme de baba de caracol com própolis. Carlos Pestana é um homem curioso, que tem uma vontade enorme de estar bem informado acerca de tudo o que à apicultura diz respeito. Além de participar assiduamente na feira Agro-Pecuária do Porto Moniz, já promoveu uma prova com 60 méis diferentes. Sempre que lhe é possível, recebe grupos de apicultores que têm interesse em vir à Madeira ver como se desenvolve esta atividade. O último grupo que recebeu veio da Suiça. Eram apicultores que faziam parte de uma cooperativa com mais de 15 mil associados, os quais ficaram surpreendidos com o fato de haver condições para desenvolver esta atividade mas que "está como está", apontou. Para o próximo ano está prevista a vinda de outro grupo de apicultores suíços à Região. É necessário fazer contagem do número de apiários mortos Na Madeira seria importante avançar com o levantamento do número de apiários mortos porque as bactérias podem ficar numa colméia por mais de 40 anos. A advertência é do apicultor Carlos Pestana que reitera que "é preciso pegar nos apiários abandonados, contatar a Junta de Freguesia e os apicultores para proceder à remoção porque são um foco de doença". Mas, "pior do que a doença das abelhas, é o roubo das colméias", considera porque "a doença podemos controlar mas quanto às colméias chegamos lá e simplesmente não as vemos". Carlos Pestana já foi roubado duas vezes no espaço de dois anos. Tem conhecimento de outros roubos, inclusive, de uma situação em que mataram as próprias colméias. Este apicultor tem quase a certeza que foram pessoas que tratam de abelhas, por isso, recorda que se trata de um ato ilícito. Carlos Pestana vai mais longe e considera que "um apicultor que rouba outro, é tudo menos um apicultor, não é digno de ser chamado apicultor". No entender deste responsável, esta situação acontece porque "as pessoas são um pouco comodistas, preferem roubar" mas "não é opção, aprender sim".
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