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   23/11/2010 - 10:44:54

Pesquisa avalia a melhor composição de fungicidas para combater ferrugem da soja

A ferrugem asiática é uma doença causada por um fungo biotrófico e e que causa desfolha das plantas

Fonte: Correio do Estado



As lavouras de soja nessa fase do desenvolvimento das plantas vivem a fase mais crítica para a incidência da ferrugem asiática. Para orientar os sojicultores do Estado, o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, engenheiro agrônomo e fitopatologista Alexandre Roese fez importantes considerações que certamente irão colaborar com o produto no combate a esse mal.

A ferrugem asiática da soja (FAS) é uma doença causada por um fungo biotrófico (que só sobrevive e se reproduz em plantas vivas), e que causa desfolha das plantas de soja, e, consequentemente, perda de produtividade, esclarece o pesquisador. O fungo causador da doença, Phakopsora pachyrhizi, está amplamente disseminado no Brasil onde ocorre desde o ano de 2001. De lá para cá, a ferrugem tem sido a principal doença da soja, exigindo muita atenção por parte dos produtores e da assistência técnica.

Evitar que uma lavoura de soja tenha ferrugem é praticamente impossível, garante Roese. Mas é possível evitar que a doença atinja altas severidades, ou seja, que a situação fuja do controle do agricultor. Por isso é muito importante observar rigorosamente o período de vazio sanitário. Essa medida, assim como a semeadura logo no início do período de cultivo e o monitoramento constante da lavoura e das condições climáticas, ajuda o agricultor a retardar a ocorrência da doença. É importante também que o agricultor esteja pronto para realizar a pulverização de fungicidas assim que for necessário, seja pela ocorrência da doença ou de forma preventiva.

O pesquisador salienta que existe a tendência de o fungo que causa a ferrugem se tornar mais agressivo com o passar do tempo, porque, assim como todo microrganismo, ele tem a capacidade de mutação, o que lhe permite sobreviver em condições adversas. Por exemplo: uma condição totalmente adversa para o fungo causador da ferrugem é sobreviver e se reproduzir em plantas que receberam fungicidas (que servem exatamente para matar os fungos). Mas alguns indivíduos dessa população de fungo poderão sofrer uma mutação que lhes permita sobreviver a doses do fungicida que antes eram letais. Com o uso contínuo desse mesmo fungicida, a população desse fungo resistente tende a aumentar, até chegar a provocar um nível de doença que causa prejuízo para o produtor; e o pior: o fungicida que antes controlava a doença, já não controla mais porque o fungo se tornou resistente. O fungicida não sofre nenhuma mudança, mas o fungo sofre mudanças que lhe permitem sobreviver ao fungicida. Esse processo é acentuado com o uso constante do mesmo fungicida, com o emprego de doses diferentes das recomendadas, com aplicações mal realizadas ou em momentos inadequados. E é justamente por esses motivos que a escolha do fungicida e os cuidados no momento da aplicação são fundamentais para a eficiência do controle.

E o pesquisador então questiona: qual é o melhor fungicida para o controle da ferrugem? Com relação à escolha do fungicida, dois fatores devem ser observados: a composição e a exposição.

A composição do produto

O pesquisador Roese prossegue afirmando que com relação à composição, tem-se observado desde a safra 2007/2008, através de experimentos, que os fungicidas a base de triazol sozinho têm sido inferiores na eficiência de controle da ferrugem quando comparados com os produtos formulados com misturas de triazol e estrobilurina. Esses resultados de baixa eficiência dos triazóis, quando aplicados sozinhos, foram inicialmente observados na região Centro Oeste do Brasil, e têm se repetido ao longo dos anos. Por isso a primeira recomendação é que se opte por fungicidas formulados com misturas de triazol e estrobilurina.

Com relação à exposição, devemos observar a recomendação do FRAC (Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas), de evitar a exposição a um mesmo fungicida por longo período ou o seu uso em áreas muito extensas. A lógica por trás dessa recomendação é que o fungo que causa a ferrugem pode se adaptar às condições adversas (aplicação de fungicida) e desenvolver populações resistentes. Observa-se ainda, através dos ensaios de eficiência de fungicidas, que existem diferenças de eficiência entre os triazóis e entre as estrobilurinas.

Mesmo pertencendo ao mesmo grupo químico (triazóis, por exemplo), observa-se que alguns produtos são mais eficientes que outros, e também que alguns produtos perdem sua eficiência (devido a populações do fungo menos sensíveis àquele fungicida específico) antes que outros, pois apesar de pertencerem ao mesmo grupo químico, o mecanismo de reconhecimento do fungicida pelo fungo é diferente para cada produto. Ou seja, mesmo que todos os triazóis tenham o mesmo modo de ação sobre o fungo, e também as estrobilurinas tenham todo o mesmo modo de ação, o sítio específico de reconhecimento do fungicida pelo fungo é diferente para cada produto.

Com base nisso, explica o agrônomo da Embrapa de Dourados, a resposta para a pergunta sobre qual é o melhor fungicida para a ferrugem é: a alternância de misturas de triazóis com estrobilurinas é a melhor opção para o controle químico da ferrugem. Mesmo que um determinado produto tenha proporcionado o melhor controle da ferrugem nos experimentos, não é aconselhável aplicar esse produto diversas vezes consecutivas, pois isso pode induzir o patógeno a desenvolver resistência ao fungicida.

O ideal é fazer a rotação de produtos, com triazol e estrobilurina diferentes a cada aplicação. Além de melhorar a eficiência do controle, essa estratégia ajuda a manter os fungicidas no mercado por mais tempo, conclui Alexandre Roese.

 

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