Segundo o estudo realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), a prática orgânica e ecológica na agricultura pode dobrar nos próximos dez anos em propriedades de pequena escala de países em desenvolvimento. A notícia é boa, e no Estado a luta da Articulação Capixaba de Agroecologia é para levar estes produtos em qualidade e quantidade para toda a população. De acordo com Olivier de Schutter, autor do estudo e relator da ONU sobre direito à alimentação, métodos ecológicos funcionam melhor do que o uso de fertilizantes hoje em dia. Além disso, estas técnicas deverão garantir a produção suficiente para suprir a fome de nove bilhões de pessoas no mundo em 2050. No Estado, apesar do aumento de propriedades certificadas - atualmente há 140 delas -, a luta é pela não mecanização desta prática, garantindo o seu crescimento através da economia solidária e assim garantindo acesso e preços acessíveis à população. "Há uma tendência ao crescimento desta prática a partir do convencimento das cidades, da busca pela saúde. Por outro lado, há grande dificuldade de acesso a estes produtos. Nos supermercados a diferença do preço de um alimento orgânico para um convencional é de até 300%", segundo Demetrius de Oliveira, da Associação de Programas em Tecnologias Alternativas (APTA) e da Articulação Capixaba de Agroecologia. Para Schutter, é possível aumentar a produtividade e manter safras longe de pragas usando defesas naturais. E, segundo ele, o objetivo de buscar um crescimento da agricultura agroecológica a partir de um outro olhar de mercado esbarra em obstáculos como conscientizar o camponês sobre os impactos do modelo atual de produção, envolvendo linha de montagem, rapidez e monocultivo, e sensibiliza-los sobre o uso de venenos agrícolas, que não só contaminam o alimento e o meio ambiente como os mantêm presos a um ciclo vicioso na produção. "A busca pela produtividade através da diversificação deve vir em primeiro plano neste crescimento. Aó assim será possível atender às demandas da segurança alimentar, resgatando alimentos, aproximando o consumidor do produtor, fomentando as feiras agroecológicas; propondo formas de certificação participativa, garantindo assim uma economia solidária", disse. Ao todo, há no Estado 140 propriedades já certificadas e 300 em processo de conversão. Juntos eles ocupam 8 mil hectares de terras capixabas. Essa produção, por exemplo, possibilita ao capixaba a ter acesso a hortaliças, frutas, como banana, mamão, morango, graviola, assim como ovos, frango, cafés, entre outros produtos sem o risco do agrotóxico.
Consumindo estes alimentos, além do benefício de não conterem agrotóxico, a pessoa estará adquirindo um alimento produzido em uma cultura ecológica integrada com os recursos da natureza.