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   10/03/2011 - 16:29:35

Preço do etanol dispara na bomba

Em São Paulo, bateu na casa dos R$ 2,20 às vésperas do Carnaval

Fonte: A Tribuna



O preço do álcool disparou na bomba, superando R$ 2 o litro em alguns postos da cidade. Em São Paulo, bateu na casa dos R$ 2,20 às vésperas do Carnaval. Apesar de a variação ser normal nesse período do ano, quando as usinas se preparam para iniciar a nova safra, a alta foi exagerada. A explicação é uma somatória de fatores, que vêm desde 2009.

De acordo com José Coral, presidente da Cooperativa dos Plantadores de Cana (Coplacana), a safra de 2009 foi atípica, excessivamente chuvosa. Por isso, muita cana deixou de ser cortada. "Ficaram no campo em pé 50 milhões de toneladas de cana só no centro sul. Como uma tonelada gera média de 70 litros de etanol, dá para imaginar quanto biocombustível ficou sem ser produzido na ocasião. Na comparação do presidente da entidade, o volume representa a produção de 20 usinas de grande porte.

A safra seguinte, devido à cana que ficou parada, foi iniciada mais cedo, em fevereiro, quando deveria iniciar em março. "Só que a matéria-prima estava muito ruim, com rendimento bem abaixo do normal", afirmou Coral. Diferente do ano anterior, a produção de 2010 foi comprometida pela seca. Ficamos quase sete meses sem chuva, o que resultou em uma safra rápida, com nova quebra. Por causa da seca de 2010, a safra deste ano deve começar só em abril, por falta de matéria-prima. "Não temos cana no ponto", observou Coral.

O resultado do histórico fez com que 2011 começasse com um estoque pequeno, que forçou a elevação do preço na bomba para controlar a demanda. "Acreditamos que o estoque seja suficiente para aguentar até abril. Com o início da safra, a tendência natural é a queda do preço. "Em dois meses, o combustível deve ser vendido novamente por R$ 1,60 a R$ 1,70, valor que remunera tanto o produtor e está bom para o consumidor", disse Coral.

A luta do setor é para que o governo financie o estoque. O recurso já foi até divulgado pelo Banco do Brasil, mas os produtores têm dificuldades para consegui-lo por problemas na folha de pagamentos e de oferta de garantias. "Um estoque de cinco bilhões de litro de álcool e o Brasil não teria mais essas oscilações extremas, que comprometem tanto a produção como o consumo", concluiu o presidente da Coplacana.

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