Em conjunto com os estados da Região Norte do País, o Sebrae Nacional desenvolve um projeto voltado para a cadeia produtiva do Pirarucu que realiza experimentos com o intuito de testar pacotes tecnológicos para o aumento de produção. O objetivo é viabilizar, futuramente, o atendimento ao mercado interno. Dentre as descobertas estão avanços na área de reprodução, novas rações para engorda e melhorias no índice de conversão alimentar (consumo de ração/ganho de peso).
O interesse pela criação do Pirarucu vem aumentando significantemente nos últimos anos. O peixe tem um grande potencial se comparado a outras espécies comuns no Tocantins. Sua carne branca e sem fibras e espinhos intramusculares proporcionam um alto rendimento para postas de filé, tornando-o ainda mais favorável ao gosto do mercado.
Custos
Com os avanços na pesquisa, o custo de produção de um quilo de peixe vivo varia entre R$7,51 em tanques escavados e R$ 6.43, em tanques de rede. O preço do quilo no varejo chega a R$ 10 reais. Segundo o coordenador da Carteira de Agronegócios do Sebrae em Tocantins, Gilberto Noleto, com os avanços dessas pesquisas os custos podem cair ainda mais.
"Com a criação de uma ração específica para o uso diário e uma redução no custo dos alevinos, este projeto poderá viabilizar muito a produção. Os trabalhos serão nesse sentido, voltados para a ração e a redução de custos. Nós definimos trabalhar a cadeia produtiva nas suas bases estruturantes primeiramente, para depois buscarmos mercado", explica.
O superintendente do Sebrae/TO, Paulo Massuia acrescenta que outros grandes resultados são o aumento na reprodução (com cerca de 100 mil alevinos por ano na Região Norte, dado obtido em Rondônia) e o ganho de peso com o uso de ração desenvolvida para engorda (o peixe pode ganhar até 12 quilos em um ano). Massuia comenta que tudo isso foi alcançado graças ao bom desempenho no sistema de criação com o uso de tanques escavados e tanques-redes.
Mercado
Como forma de embasar o projeto e já pensando no mercado interno, que é abastecido atualmente por meio de pesca, foi realizado um estudo para avaliar e caracterizar o mercado consumidor da carne do Pirarucu, seu grau de aceitação e potenciais compradores. Os dados foram recolhidos em seis capitais brasileiras: Belém, Brasília, Curitiba, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.
Todo o projeto abrange quatro pontos: a reprodução, a alimentação, o manejo e o mercado. O projeto conta com as parcerias do Centro de Pesquisa de Produção de Peixes Nativos - CPPPN, da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado do Tocantins (Seagro), Embrapa, Fazenda São Paulo (Brejinho de Narazé) e Aliança Indústria Pesqueira (Aliança do Tocantins).