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   01/04/2011 - 14:14:18

Resiliência e instituição da democracia

Resiliência, do latim "re" - para trás, "salire" - voltar - capacidade de recompor a forma após muda

Fonte: Correio de Uberlândia



Resiliência, do latim "re" - para trás, "salire" - voltar - capacidade de recompor a forma após mudança forçada. Ato de retorno, recuar, poder de recuperação. Voltar ao ponto de partida. Instituição da democracia: conjunto de regras ou sistemas normativos, regras e procedimentos para a vida social livre e igual para o povo. Instituição política configura-se como a transmissão e o exercício do poder democrático. Resiliência democrática é todo o movimento institucional de retorno à democracia quando atacada ou inviabilizada de quaisquer maneiras. Na democracia ocorrem inúmeras ligações de interdependência entre atividades heterogêneas na sociedade capitalista. Instituições democráticas são maneiras de fazer, de sentir e de pensar cristalizadas, socialmente coercitivas. Tudo que é democracia é institucionalmente regulado e constante para os membros da sociedade.

As leis governam as ações do cidadão na sociedade democrática. A qualidade da resiliência é apreendida observando o desenvolvimento da democracia política, quando o pior acontece com as instituições democráticas. A recomposição cotidiana das instituições democráticas, quando atacada em seu suporte institucional, vem demonstrando que a democracia política consubstancia no meio mais eficiente de ordenamento da sociedade contemporânea: pode ser destruída das maneiras mais variadas, mas voltará a funcionar como única forma institucional de produção igualitária e livre da vivência na sociedade capitalista com democracia política.

A universalidade da democracia política para quaisquer culturas e ordenamentos sociais se dá por causa de sua qualidade de resiliência, a capacidade de recomposição e recuperação da democracia política para todas as sociedades contemporâneas é surpreendentemente boa. Democracia política surge como demonstração da qualidade de resiliência das instituições sociais e econômicas. As sociedades podem mudar no sentido que o povo desejar, mas a instituição resiliente será a democracia. É um fato universal. Não há outro caminho a não ser a democracia. Ausência da democracia política impõe a construção de instituições democráticas resilientes que possibilitam o equilíbrio dos interesses sociais por processamento institucional. O termômetro de resiliência é a existência de uma sociedade democrática, cuja dinâmica política possibilita o desenvolvimento político em atendimento aos interesses difusos e multifacetados inerentes à sociedade complexa do mundo moderno.

A ciência de resiliência prova que a existência da democracia política num mundo bagunçado, complexo e incerto, com incontáveis interesses dos cidadãos é a demonstração dessa qualidade das instituições democráticas processarem ordenadamente os mais inesperados problemas sociais e econômicos da sociedade contemporânea. O mundo democrático evoluiu na capacidade de resiliência de suas instituições políticas. Fenômenos complexos processados por instituições políticas democráticas resilientes são reduzidos a regras e procedimentos do Estado de direito. Foi assim que o Brasil passou de sociedade rural e agrária para um país urbano, com indústrias e serviços modernos. Resiliência institucional no Brasil elegeu democraticamente sete presidentes civis: Getúlio Vargas (1950), Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

 

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